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6 de maio de 2014

Não sabe qual seu emprego dos sonhos? Talvez ele esteja sendo criado.

Não sabe qual profissão é ideal para você? Não se preocupe, pesquisadores indicam algumas profissões que devem aparecer em alguns anos. Com mudanças nas estruturas educacionais, sociais e de mercado, o natural é que novos empregos sejam criados, com trabalhos que até pouco tempo não poderíamos imaginar possíveis.
O Porvir traduziu e apresentou algumas das novas profissões que a revista Fast Company publicou como empregos do futuro. Segundo a publicação, esses trabalhos já serão realidade até 2025, sendo que alguns já se configuram de alguma forma em nossa sociedade e outros mostram seus primeiros sinais.


Aqui, trazemos a tradução do Porvir com as suas notas da redação, que tornam a publicação ainda mais interessante por mostrar como algumas dessas profissões já se apresentam no mercado. Recomendamos a leitura do texto integral da Fast Company, disponível somente em inglês.


1 - Gerente de Morte Digital (Digital Death Manager)
Life-logging é o processo de rastreamento de dados pessoais e será um estilo de vida, uma vez que as pessoas têm passado cada vez tempo conectadas. Segundo Terry Young, daqui a alguns anos, haverá um profissional cujo papel será o de transformar todo esse material deixado nas redes em histórias. E isso pode ser útil durante nossa vida para o marketing pessoal, mas também na morte. “Hoje isso acontece apenas com pessoas importantes. Andy Warhol tem uma fundação, por exemplo. Nós imaginamos isso chegando a outras pessoas que querem moldar o significado de seu legado”, diz o executivo.

Nota da Redação: O fato de os adolescentes, especialmente os brasileiros, passarem tanto tempo conectados os expõe a uma série de riscos na web. O uso consciente da internet, que vai permitir a construção de uma história digital segura dos usuários, é uma preocupação de uma série de instituições que trabalham com conscientização digital nas escolas. A organização Safer Net é um exemplo.

2- Mentor/tutor fora da escola (Un-Schooling Counselor)
O conceito de educação em anos engessados, nos quais se faz exercícios sobre conteúdos específicos e pré-determinados, vai acabar, afirma a Fast Company. O futuro terá mais diversidade. As pessoas vão poder estudar em locais diferentes, pelo tempo que for mais conveniente, terão maior liberdade e flexibilidade. E quem vai guiá-las são os mentores, que atuam dentro e fora da escola. “É a evolução dos tutores tradicionais para alguém que pode acompanhar essas mudanças”, afirma Young.

Nota da Redação: Novos programas educacionais já estão seguindo essa tendência. É o caso do Projeto Minerva, uma universidade global que inicia sua primeira turma neste ano e que tem como proposta ser itinerante. Como nas instituições tradicionais, seus cursos serão de quatro anos. O primeiro deles, de formação básica, ocorrerá nos Estados Unidos e nos seguintes os estudantes passarão por algumas das principais metrópoles do mundo que ainda estão sendo definidas. Cada aluno será acompanhado por um mentor, que ajudará o aluno a entender o seu papel na sociedade e as formas produtivas com que pode interagir com ela.

3 – Desorganizador Corporativo (Corporate Disorganizer)
As grandes empresas vão querer cada vez mais ser como as startups, que têm a inovação como vital para os negócios. Young diz que as corporações vão precisar de profissionais que as desorganizem, que introduzam um pouco de “caos organizado” em seus processos. “O desorganizador irá aproveitar os novos sistemas de economia colaborativa, criando maior fragmentação e um ecossistema mais distribuído”, afirma.

Nota da Redação: Muito já é falado sobre o impacto que as startups estão causando no mercado de trabalho e nos sistemas de ensino. Uma startup francesa, inclusive, a Planet Expat, tem como proposta incentivar jovens universitários a estagiarem nesse tipo de empresa nascente, justamente por serem ambientes que alimentam a inovação, o espírito empreendedor e a criatividade.

4 – Especialista em desintoxicação digital (Digital Detox Specialist)
A sobrecarga digital se tornará ainda mais opressiva. Isso vai abrir o caminho para as pessoas que podem ajudar a levar uma vida menos centradas em dados, ou que pelo menos ajudem a encontrar um equilíbrio melhor. Em alguns casos, podem até organizar centros de reabilitação digital.

Nota da Redação: Na verdade, eles já existem. O The Digital Detox é uma instituição que organiza eventos, programas de imersão e palestras sobre como encontrar o equilíbrio entre a vida on-line e offline e a importância disso para uma vida produtiva.

 [Via: Porvir // Fast Company]

17 de novembro de 2013

Entre a experiência e a ciência


A carta de emprego, desenvolvida por um dos candidatos no processo de seleção da Volkswagen, permitiu uma reflexão sobre o significado de experiência - entre o conhecimento empírico  e conhecimento sistemático (ciência). 
Antes da carta, trazemos seus conceitos: 

O que é empírico?
O conhecimento empírico apoia-se em experiências vividas através da observação. Caracterizado pelo senso comum, é uma verdade adquirida ao longo de toda a vida, no dia a dia, entre objetos e sentidos. Nossos sentidos, por meio do que vemos, cheiramos, provamos, tocamos e ouvimos inconscientemente nos fornecem um conhecimento sobre a realidade e consequentemente se transformam em experiências.

O que é ciência?
Ciência é um conhecimento sistemático, baseado no método científico. Rejeita-se o subjetivismo e tem como objetivo construir uma lógica, racionalizar, argumentar, cronometrar - deixa-se de lado causas pessoais e mantém a neutralidade do sujeito. É verificado através da experimentação metódica. 

Os candidatos deveriam responder a pergunta: Você tem experiência?

REDAÇÃO VENCEDORA: 


Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar, já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto.
Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo. 

Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora. Já passei trote por telefone.
Já tomei banho de chuva e acabei me viciando. 

Já roubei beijo. Já confundi sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro, já me cortei fazendo a barba apressado.
Já chorei ouvindo música no ônibus. 

Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de esquecer. Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas, já subi em árvore pra roubar fruta.
Já caí da escada de bunda. 

Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola, já chorei sentado no chão do banheiro, já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante. Já corri pra não deixar alguém chorando,
Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só. 

Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, já me joguei na piscina sem vontade de voltar, já bebi uísque até sentir dormente os meus lábios.
Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.

Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. 

Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade, já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um "para sempre" pela metade. 

Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol, já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão. 

Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração. E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita:
"Qual sua experiência?". 

Essa pergunta ecoa no meu cérebro:
Experiência... experiência.
Será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa experiência? Não! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!
Agora, gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta: 
"Experiência? Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?"



E você, tem experiência?